Cultura

Uma geração de Johnny Bravos

Por Gustavo Mendes

Nada define mais a nossa geração, com licença de todos os filósofos e sociólogos que estudam o tema com seriedade, que o Johnny Bravo. É isso mesmo, o Johnny Bravo é o símbolo da nossa geração e é impossível não assistir um episódio do desenho sem achar ao menos um trejeito que possuímos e que vemos nos nossos amiguinhos super descolados e que se acham diversos, muito diferentes uns dos outros, livres dos padrões das gerações anteriores.

Johnny Bravo é um figurão com seus vinte anos, com aquela aparência de sadio, um ego monstruoso que faria Ayn Rand suspirar e trocar John Galt por Johnny Bravo e que é sustentado pela mãe. O desenho sempre gira em torno da vida bovina de Johnny, correndo pela cidade em busca de satisfazer seus desejos pueris como comprar um novo jogo, se divertir com alguma brincadeira de criança ou correr atrás de um rabo de saia. O meninão não sai dessa rotina.

Para impressionar as meninas, nosso personagem sempre expõe seus dotes corporais associados a cantadinhas fajutas como “ Como deve ser bom ser você e poder olhar para mim”. Ele é igualzinho aquele seu amigo ou amiga que compartilha as fotos do corpo com aquela legenda piegas de “treine enquanto eles dormem” ou “o de hoje tá pago”. O treino pode estar “pago”, mas o pai e a mãe queriam mesmo é que a conta de luz estivesse paga pelo bonitão ou pela bonitona. Johnny é o facebook e instagram com pernas e um topete. Por mais que se esforce, Johnny não consegue arrumar uma namorada, sempre acaba se dando mal e por fim não chega nos finalmentes, tal qual nossa galerinha que mesmo com toda a liberdade é a geração que menos faz sexo dos últimos tempos. Podemos concluir que nosso maior prazer nem está em arrumar um parceiro ou parceira, mas somente nos expor e inflar nosso já inflado ego.

Quando não está massageando seu ego, Johnny está assistindo seus programas de tv favoritos ou jogando vídeo game. Se na época tivesse netflix, instagram e facebook, ele estaria vidrado também, comentando da última série da moda ou emitindo seu papper sobre o mais recente acontecimento político ou social, tudo para agradar as meninas, nada profundo. Importante pontuar que nenhum desses divertimentos é pago com o suor da testa de Johnny, tal qual ocorre atualmente na nossa galerinha que se vangloria de não pagar nem sua assinatura no streaming, com direito a roubar a senha do amiguinho (que também não paga).

Somos assim mesmo: Uma geração egoísta, prepotente, mimada e que não busca se sustentar. É normal ver na internet as pessoas comentando abismada que não sabe como nossos pais nos sustentavam, não sabem como eles construíram as casas, compraram carros e ainda faziam mais sexo, se divertiam mais e iam trabalhar no dia seguinte. A resposta é simples: eles tinham responsabilidade e foco, coisa que anda escasso por esses dias sombrios. Note que mesmo que a maioria tenha tido filhos de maneira indesejada, mataram no peito a responsabilidade e criaram da melhor forma possível sua prole.

O foco não são as diversões, a maravilha que é a internet e nem os vídeos engraçados e sim a falta de foco e a nossa infantilização. Estamos agora com a batata quente do mundo no colo, com um tanto de ameaças ao nosso estilo de vida, deveríamos estar ao menos preocupados em juntar dinheiro, construir um patrimônio e crescer na vida além de gerar filhos, tudo que adultos normais em todos os tempos faziam. Nós invertemos o jogo todo da vida, não temos a menor noção de responsabilidade e consequência para a gente é uma palavra feia, de gente fascista. Estamos correndo com a tesoura na mão, uma hora vamos nos machucar.

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