Cultura

Olaviando o Brasil

Por Italo Gustavo

 

Foram lançados no último mês os livros “A Alma do Mundo” e “Uma Filosofia Política – Argumentos para o Conservadorismo” do filósofo e crítico cultural inglês, Roger Scruton. Meu primeiro contato com Scruton foi há um ano, passando os olhos sobre as listas de recomendadas, vi o provocante livro intitulado de “Como ser um Conservador”, nesta época meu interesse por análises fora de toda a realidade que eu estava incluso era alto, um título provocante como aquele pareceu-me ideal. Eu não sabia no entanto, que ao ler aquele livro, tinha nas mãos um grande filósofo, dotado de clareza impressionante, ao passo que li outros livros do escritor britânico vi os autores esquerdistas se transformarem em verdadeiras múmias na minha consciência, e penso o quão grande seria para o Brasil, um ninho de amantes de autores como Michel Foucault e Antonio Gramsci seja de maneira consciente ou inconsciente – lendo o autor – ou inconsciente – apenas seguindo suas ideias – encontrassem um que mostrasse quão frágeis são suas crenças.,

O professor Olavo de Carvalho nos mostrou com clareza que não há democracia no Brasil há muito tempo, é valioso retornar a algumas observações que levaram a esta conclusão. A primeira delas é que o povo brasileiro é em sua grande maioria conservador, os plebiscitos sobre porte de armas, legalização do aborto e das drogas mostraram isso, esses que levaram à esquerda a uma derrota vergonhosa, derrota essa que a própria esquerda tratou de acobertar (tomemos o exemplo do plebiscito do porte de armas, que, mesmo com 63,94% da população votando contra a proibição da venda de armas, o governo esquerdista passou por cima da soberania popular, não só proibindo e dificultando ainda mais o acesso às armas como também usando o dinheiro público para a propaganda contra), não é de se impressionar que a mesma receba patrocínio de bilionários estrangeiros¹.

Outro fator de igual importância para essa análise é o domínio dos meios de ação, através das estratégias de hegemonia cultural, a mídia, as universidades, os jornais de interior e até mesmo a mídia alternativa foi tomada por uma elite pequena e birrenta que tenta impor ao resto da população suas agendas e ideologias fracassadas. Esse domínio acarreta muitos danos para o Brasil em diversos setores, o principal deles, é que o povo, a massa, aqueles que não fazem parte da bolha estudantil, não encontram representatividade para suas próprias concepções de mundo, sendo obrigadas a ceder às idéias de uma classe restrita, essa não é só uma questão de eleição e representatividade, é uma questão de cultura e consciência, esse domínio levou a ausência de identidade e comunicação comum a qual o povo brasileiro possa se sentir realmente como povo brasileiro. A questão da hegemonia mostra muito bem a ausência da democracia no país quando vemos que os dominantes dos meios de ação, informação e educação se sintam ofendidos com a simples possibilidade que possa existir uma ideia contra a deles, literários, filósofos e pensadores são boicotados simplesmente por serem grandes demais para caber no mundo pequeno dos ideólogos, quantas vezes ouvimos falar de Mário Ferreira dos Santos e João Camilo de Oliveira Torres nas escolas e universidades do país?

É neste cenário de desencanto que é de se comemorar a chegada dos livros de Scruton ao Brasil, um momento de ver que as coisas pelo qual o professor Olavo lutou a vida inteira estão chegando, é um sinal de brecha, de mostrar que existe outro lado, um lado que ninguém ainda conhece sendo assim, não pode de maneira alguma criticar, e além do mais, que esse outro lado que o povo está mas que não sabe tem cabeça, cabeça capaz de fulminar sem piedade ideologias baratas e corrigir os erros – os muitos erros – sobre os quais o Brasil se fundou socialmente, intelectualmente e culturalmente.

 

[1]: http://www.soudapaz.org/institucional/parceiros ver “Open Society”, fundação criada pelo bilionário e colaborador de denúncias aos judeus no regime nazista, George Soros.

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