Filosofia Política

Escola de Frankfurt e a criação do Marxismo Cultural

por Alexandre Moreira

 

A morte de Karl Marx, em 1883, fez com que muitos acreditassem na ideia de que a utopia comunista seria enterrada junto com seu cadáver, tendo em vista que apenas nove pessoas compareceram ao seu sepultamento. Apesar disso, a ideologia se manteve viva, influenciando diversos segmentos e personalidades adeptas ao pensamento de esquerda ao longo do século XX.

 

A previsão de Marx quanto à expansão do comunismo em escala global fez com que o marxismo clássico entrasse em crise, pois ela estava completamente equivocada, e isso ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. Para ele, a explosão de uma grande guerra seria o estopim para uma revolução em larga escala, pois, de acordo com seu pensamento, os trabalhadores de todo o mundo iriam se juntar, em nome da consciência de classes, contra as identidades nacionais dos países. O que ocorreu foi justamente o contrario. Durante a guerra, os trabalhadores dos mais variados países se uniram para defender a sua respectiva nação, demonstrando que o sentimento de patriotismo estava vivo. A única revolução ocorrida no período foi na nação agrária e atrasada da Rússia, porém, muito insignificante quando se pensava que o previsto era uma expansão significativa do comunismo.

 

Em meio a esse cenário, alguns filósofos marxistas resolveram criar um grupo de pesquisa com o intuito principal de analisar os erros das previsões feitas por Marx. Assim, surgiu a popularmente conhecida Escola de Frankfurt. Antes dessa denominação – que veio apenas na década de 50 -, cogitou-se o nome “Instituto para Marxismo”, porém, na visão de muitos dos envolvidos na empreitada, esse nome era um tanto quanto honesto demais e, então, decidiram denominar como “Instituto para Pesquisa Social” – criado em 1924 por iniciativa do marxista Felix Weil, filho de um grande negociante de grãos de trigo na Argentina. Ele achava magnífica a ideia de utilizar todo dinheiro acumulado por seu pai como instrumento para destruir, junto com sua própria fortuna, a de todos os outros burgueses.

 

Quando reunidos para debater sobre os erros de Marx, os comunistas começaram a enxergar que a revolução armada não era uma opção viável e, então, resolveram estudar novos métodos de dominação. A partir desses estudos, concluíram que a tomada do poder deveria ser feita através do campo cultural, ocupando espaços de forma gradual e silenciosa, arruinando a cultura ocidental. É a cultura o elemento que forma os fundamentos que modelam a mentalidade e a visão política das pessoas, por isso, os neomarxistas da Escola de Frankfurt passaram a apostar na ideia de subverter as crenças e valores dos indivíduos como forma de obtenção do controle social. O plano de romper o sistema desde suas raízes fez com que o primeiro e principal trabalho da Escola de Frankfurt fosse elaborado: a Teoria Crítica – muito difícil de ser definida, pois se refere a uma imensidão de ideias, indivíduos e abordagens. O aspecto fundamental e permanente da Teoria Crítica, comum a todas as suas ramificações, porém, é a criação de teorias interdisciplinares que poderão servir como instrumento de modificação social. De acordo com um dos pais fundadores da Escola de Frankfurt, Max Horkheimer, a Teoria Crítica tinha o objetivo de “libertar os seres humanos das circunstancias que os escravizavam”. Assim sendo, seu principal objetivo era, de fato, criar uma plataforma teórica e ideológica para uma revolução cultural.

 

Na década de 60, a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt adquiriu popularidade entre determinados segmentos dos partidos e do pensamento de esquerda de um modo geral, tanto na Europa como nas Américas. Nos dias atuais, sua influencia pode ser notada através de uma breve observação do mundo acadêmico ocidental, onde é explicita, principalmente, a dominação do campo das ciências sociais e humanas.

 

Um dos teóricos mais influentes e membro original da Escola de Frankfurt foi Herbert Marcuse – sociólogo e filosofo alemão naturalizado norte-americano. Uma rápida consulta as suas obras já é o suficiente para alertar qualquer pessoa, mesmo os que estão pouco familiarizados com a cultura atual de intolerância presente nas escolas e universidades. Observe a seguinte frase por ele dita: “As minorias pequenas e importantes que lutam contra a falsa consciência e seus beneficiários precisam de ajuda. A continuação de sua existência é mais importante do que a preservação do abuso de direitos e liberdades que garantem poderes constitucionais àqueles que oprimem estas minorias.”

 

Justiça social, feminismo, neo-progressismo, apenas para citar alguns exemplos, são todos movimentos inspirados na, ou nascidos da Teoria Crítica e, portanto, estão todos sob a bandeira do marxismo cultural. Seja gênero, orientação sexual, corrente religiosa, família, raça ou cultura, todos os aspectos que constituem a identidade do individuo devem ser questionados. Toda norma ou padrão social deve ser contestado e, idealmente, alterado para o suposto beneficio do grupo de oprimidos.

O marxismo clássico defende a luta de classes como um conflito entre a burguesia e o proletariado, entre os que têm e os que não têm. O marxismo cultural, por outro lado, enxerga o conflito como sendo entre os opressores e os oprimidos, entre os privilegiados e os não privilegiados. Nessa lógica, a classe operária foi substituída pelas “minorias”, os grupos majoritários são sempre classificados como “privilegiados” e “opressores”, enquanto que os grupos minoritários são classificados como “não privilegiados” e “oprimidos”. Partindo dessa forma de pensamento, conclui-se que: os heterossexuais são opressores, os indivíduos cisgêneros são opressores, os brancos são opressores e os cristãos são opressores. Aqueles que não se encaixam nesses grupos, portanto, são considerados oprimidos. Assim, faz sentido pensar que se todos os heterossexuais são opressores, a solução, então, é desencorajar outras formas de sexualidade. Se os brancos são opressores, a solução está na diversidade racial. Se os indivíduos cisgêneros são opressores, a solução está em desencorajar o transgenerismo. Se os cristãos são opressores, a solução é propagar o Islã.

 

Theodor Adorno, outro membro original da Escola de Frankfurt, escreveu um livro chamado “A personalidade autoritária”, no qual ele define paternidade como “o orgulho familiar do individuo”, o cristianismo como “aderência aos papeis sexuais tradicionais e atitudes tradicionais com relação ao sexo”, e o amor de alguém a sua pátria como um “fenômeno patológico”. Esta tendência de definir opiniões como patologias e padrões de vida que não estão de acordo com seus propósitos políticos é uma característica do marxismo cultural. Assim, visões diferentes são sempre descritas como medos irracionais ou fobias. Por exemplo, um individuo que se sinta incomodado vivendo como minoria em um local dominado por imigrantes muçulmanos pode ser rotulado como “islamofóbico”, visto que seu desejo de viver entre pessoas semelhantes étnica e culturalmente a ela é considerado detestável e fóbico. Por outro lado, quando muçulmanos que vivem em um ambiente civilizacional diferente e demonstram preferência por seu grupo, convertendo seções inteiras de um determinado local ou de uma cidade, não há nada de desprezível, não há fobia, apenas multiculturalismo.

 

Uma manifestação de propaganda popular do marxismo cultural é a propagação do politicamente correto – e é com essa forma de discurso que os órgãos midiáticos e os cientistas sociais trabalham. Eles questionam a linguagem comum: imigrantes ilegais, por exemplo, devem ser chamados de “imigrantes não documentados”, o homossexualismo não pode ser chamado dessa forma, pois o sufixo “ismo” remete a doença, e assim por diante. Sua ambição em definir e redefinir palavras pode ser visto como uma forma de controlar o discurso e alterar as normas culturais. Racismo e sexismo foram redefinidos como o resultado do preconceito somado ao poder, o que leva a afirmações pífias como: “Não existe sexismo contra homem…”. Além disso, mantém uma visão firmemente favorável de grupos minoritários considerados “oprimidos”. Nenhum desvio dessa narrativa será tolerado, tampouco alguma critica.

 

O que de mais importante se pode assimilar da forma de operação da Escola de Frankfurt é que eles desenvolveram táticas bastante inteligentes visando implementar uma revolução comunista. Os pilares que sustentam a civilização ocidental são: a Filosofia Grega, o Direito Romano e, mais importante, a moral e os princípios judaico-cristãos. De acordo com os teóricos da Escola de Frankfurt, a desconstrução desses valores deixaria caminho aberto para uma revolução cultural, e é por esse motivo que observamos hoje uma constante guerra contra a cultura tradicional do Ocidente.

Comentar

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *