Colunista Fred Pontes

Errar é humano. Permanecer no erro é burrice

Kurt Levine
Kurt Levine

Por Frederico Pontes

 

Doutrina vem do latim: “Doctrina”, que significa ensinamentos ou conjunto de ensinamentos. Encontrei também as palavras “Doctor” que é aquele que ensina e de “Docere” que é ensinar.

Percebamos que o elemento objetivo decorrente da doutrina é ensinar. Sempre que falarmos, lermos, interpretarmos acerca de doutrina, estaremos perante algo que ensina. Platão descobriu que a mente humana funciona por contradição. A sentença interpretativa correta não é A + B = C, mas A não é B e sim C. Posto isso, cabe explicar que uma doutrinação política é o agente ativo (professor) encucar na cabeça do agente passivo (aluno) uma visão de mundo coerente, organizada e reconhecível. É impossível que se encuque uma concepção do mundo sem mostrar em oposição outra cosmovisão alternativa (base de contraste). Qualquer abordagem doutrinal fatalmente acabará em discussão, e não é esse o objetivo que se pretende os que queiram lograr hegemonia intelectual e cultural.

Desde a década de 40 do século passado, aprofundando e avançando os estudos iniciados com a fundação em 1921 na cidade de Londres, do Instituto para as Relações Humanas Tavistok, cientistas do porte de John Rawlings Reese, Kurt Levine, Hugh Crichton-Miller dentre outros gênios, criaram um conjunto de técnicas para serem aplicadas em massa, e não visam convencer ninguém de nada, não passam doutrina nenhuma, não passam ideologia nenhuma. Elas atuam na conduta sem passar pelas ideias e valores. Essas técnicas têm como condão de que o agente passivo sofra a mutação, acreditando piamente que foi por iniciativa dele próprio. No livro Maquiavel Pedagogo, o francês Pascal Bernardin desvenda várias dessas técnicas apoiadas no Behaviorismo e a psicologia do engajamento:

1 – Submissão à autoridade – Inventada por Stanley Milgram, consiste em modificação profunda do comportamento dos adultos (aplicada nos professores através das formações continuadas), hoje já aperfeiçoada para as crianças através das dinâmicas de grupo;

2 – O Conformismo – Criação de S.E. Asch, consiste em retirar da pessoa a confiança em si e no seu próprio julgamento, ficando sempre a reboque das opiniões coletivas;

3 – Normas de Grupo – Célebre experiência de Sherif, tem como base a desorientação total do indivíduo para que ele mude seu comportamento e o substitua por aquela do professor;

4 – Pé na Porta – Freedman e Fraser, no ano de 1966, apresentam essa técnica que consiste em promover o engajamento apresentando um fato mínimo (ato aliciador) mas que esteja relacionado ao objetivo real da manipulação, para somente depois do engajamento, aceitar praticar o ato custoso. Segundo Bernardin, a repetição desde método psicológico de aliciamento acaba gerando um fenômeno chamado “Bola de Neve” – naturalmente um “Pé na Porta” ou uma “Porta na Cara” podem ser úteis para extorquir um ato custoso, o qual, por sua vez, consistirá em um ato aliciador no caso de um próximo “Pé na Porta”. Ou seja: um ato custoso que se cometeu em virtude de um ato de aliciamento, acaba se tornando um novo aliciamento para um próximo ato ainda mais custoso;

5 – Porta na Cara – Técnica complementar ao “Pé na Porta”, essa consiste em apresentar um ato custoso primeiro que naturalmente será recusado, para só depois, formular um pedido aceitável (ato menor).

6 – Dissonância Cognitiva – A teoria da dissonância cognitiva, foi elaborada em 1957 por Leon Festinger. É quando o individuo é forçado a entrar em contradição ou paradoxo entre dois elementos do seu psiquismo. Em particular, se um indivíduo é levado a cometer publicamente (na sala de aula, por exemplo) ou frequentemente (ao longo do curso) um ato em contradição com seus valores, sua tendência será a de modificar tais valores, para diminuir a tensão que lhe oprime. Em outros termos, se um indivíduo foi aliciado a um certo tipo de comportamento, é muito provável que ele venha a racionalizá-lo.

Essas são só algumas técnicas desenvolvidas e aplicadas em creches e escolas brasileiras. Existem ainda muitas outras.

A estratégia da esquerda gramsciana brasileira passou por uma vez, postos os agentes ativos nas funções corretas, excluir e censurar completamente quaisquer vestígios de uma cosmovisão oponente a dela. Não é preciso dizer uma palavra em favor dos teóricos marxistas, é só colocar em circulação os livros deles e retirar os outros, ou somente apresentar os outros pelo olhar dos marxistas. Ainda vale lembrar que quase nunca é propaganda. E quando é propaganda, nunca é doutrinação. É indução de comportamento. Nada dessas técnicas pedagógicas passa pelas crenças dos agentes passivos.

Nossa realidade não está sob o julgo da doutrinação, mas pelo contrário, são técnicas de indução comportamental aplicadas em todos os ambientes da sociedade, não somente no ambiente escolar. Continuarei a tratar desse tema fundamental para o Brasil, aprofundando ainda mais os aspectos gerais que apresentei nesse artigo, que serão publicados aqui.

 

Frederico Pontes é colunista deste blog

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