Colunista Tarcio Gabriel

ANTONIO GRAMSCI, O PROFETA DA IMBECILIDADE

“O comunismo destitui o homem da sua liberdade, rouba sua personalidade e dignidade e remove todas as travas morais que impedem as irrupções do instinto cego”. (Pio XI)

Por Tarcio Gabriel

O comunismo que conhecemos hoje ou pelo menos a ideia que nos vendem dele, é sem dúvida uma mistura heterogênea de conceitos e ações (as práticas são completamente diferentes da teoria) que o próprio Karl Marx estando vivo não suportaria e assim apressaria a sua própria morte por desgosto.

Embora tenha certeza de que Marx não foi deturpado, e assim, as maiores práticas genocidas de toda a história do mundo foram praticadas em nome do seu comunismo e até foi esclarecido pelo próprio, quando disse: “A principal missão dos outros povos (exceto alemães, os húngaros e os poloneses) é perecer no Holocausto revolucionário… Esse lixo étnico continuará sendo, até o seu completo extermínio ou desnacionalização, o mais fanático portador da contrarrevolução”

E mais: “As classes e raças, demasiado fracas para dominar as novas gerações de vida, devem sucumbir” (Karl Marx, New York Daily Tribune, 22 de maio de 1853). “Não temos compaixão e não lhe pedimos compaixão alguma. Quando chegar nossa vez, não inventaremos pretextos para o terror” (Karl Marx, Neue Rheinische Zeitung, 19 de maio de 1849). Podemos notar então, porque países que adotaram regimes comunistas chegaram a cifras de mais de 140 milhões de mortos em poucas décadas, esse número conta apenas com pessoas comuns que se negaram a aceitar o regime e por incrível que pareça, pessoas que eram a favor, as quais o regime não poupou nem aos seus adeptos. Tudo isso em nome de uma ideologia revolucionária, todas essas mortes para os comunistas estão justificadas em nome do seu futuro hipotético. Para Marx e, portanto, para a mentalidade revolucionária em geral, as “forças progressistas” ficam liberadas de qualquer dever com a “moral abstrata” da burguesia, não importando os meios necessários, mas acelerar o devir histórico em direção ao socialismo.

O comunismo trabalha em cima de propostas estratégicas, o próprio Marx não ofereceu nenhuma, senão, a essência de matar que foi incorporada por ditadores tais como Mao, Lenin e Stálin. Os grandes estrategistas foram Lenin, Mao Tsé-Tung, Herbert Marcuse (mais tarde uma fusão do gramscismo com o próprio marcusismo), Saul Alinsky, etc. É sobre um ideólogo marxista em especial que iremos tratar nesse texto.

O italiano Antonio Gramsci, adorado pela massa revolucionária a partir do final dos anos 60 e referido até pelos mesmos como um santo, é a figura que desconstrói toda linha marxista ortodoxa mediante a uma nova fórmula de fazer revolução. Não mais a tão sonhada luta armada entre os demais grupos proletários de todas as partes do mundo juntos, mas agora, o partido como o “Príncipe” que irá tomar o poder e governar mediante aos seus meios – vale ressaltar que a estratégia gramsciana vem sendo aplicada desde a década de 60 em escala mundial e poucos se dão conta por seu conteúdo onipresente e invisível.

Inicialmente Antonio Gramsci surge como um herói revolucionário, ao ser lembrado como rival de Mussolini e o próprio regime fascista, que ao final de tudo era a teoria de Gramsci nos Cadernos do Cárcere. Ele combatia algo que ele próprio tinha em mente. Ao final do governo ditatorial de Lenin na antiga União Soviética, onde o genocídio começou, Gramsci visitou o então território e viu que a ação ali empregada (autoritarismo, hábitos de adoração ao herói revolucionário, o dever único de servir ao partido) não chegaria ao socialismo e tampouco expandiria para todo o mundo. E então, ao ser preso por Mussolini, por representar uma ameaça ao mesmo, Gramsci concebeu uma dessas ideias engenhosas, que só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas: amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista.

O próprio Gramsci só foi reconhecido na Itália na década de 50 com a edição dos seus 33 cadernos escritos enquanto preso, foi por um instituto ao qual possui o seu nome. Embora, o mesmo tenha legado a Lenin algumas atribuições que nem mesmo o próprio Lenin ouviu falar, a estratégia gramsciana virava de cabeça para baixo a fórmula leninista, de forma que a revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro.

Fazendo um paralelo entre as duas correntes, a leninista na qual uma vanguarda organizadíssima e armada tomava o poder pela força, autonomeando-se representante do proletariado e somente depois tratando de persuadir os apatetados proletários, a Gramsciana estabelece primeiramente uma hegemonia através do domínio psicológico sobre a multidão, conquistando a hegemonia para ser levado ao poder suavemente e imperceptivelmente, enquanto a leninista tomava o poder para estabelecer uma hegemonia. Se Lenin foi o teórico do golpe de Estado, Gramsci foi o estrategista da revolução psicológica que deve aplainar o caminho para o golpe de Estado. Ele transformou a estratégia comunista, de um grosso amálgama de retórica e força bruta, numa delicada orquestração de influências sutis.

Gramsci reserva em toda essa atividade estratégica o papel em que os intelectuais desempenharão. Mas, que fique claro que a atividade intelectual a que ele se refere resume-se inteiramente apenas a propaganda revolucionária, é o que ajuda ou atrapalha a revolução, reside no reforço que a ideia dá, ou tira, à marcha da revolução. Os intelectuais são divididos por Gramsci em dois tipos: “orgânicos” e “inorgânicos”. Os inorgânicos resumem-se a grosso modo aos que não são adeptos às ideologias revolucionárias e os orgânicos, adeptos de uma ideologia de classe revolucionária. O conceito gramsciano de intelectual é bem elástico: há lugar nele para os contadores, os meirinhos, os funcionários dos correios, os jogadores de futebol, os locutores e o pessoal do show business. Toda essa gente difunde e ajuda a elaborar a ideologia de classe. Exemplo disso é: uma gorda que sacuda as banhas num espetáculo de protesto feminista pode ser mais intelectual do que um filósofo, caso se trate de um “inorgânico”.

O principal dessa estratégia se resume a um controle hegemônico e inconsciente da população, e isso se dá através da penetração das ideologias no “senso comum”. O senso comum é um aglomerado de hábitos e expectativas, inconscientes ou semiconscientes na maior parte, que governam o dia-a-dia das pessoas. Sua atividade é menos persuasão racional e mais influência psicológica, daí sua ênfase na educação primária, em pegar as crianças com a mais tenra idade para agir sobre a imaginação e o sentimento, quando ainda estão incapazes de resistência crítica, atividade de manipulação denunciada em Maquiavel pedagogo do Pascal Bernadin.

Ao referir o senso comum, notemos que ele é um arcabouço de valores e princípios herdados de civilizações anteriores e que remontam toda a civilização ocidental, tais como o direito romano, a filosofia grega e a ética judaico-cristã.  Para Gramsci não basta apenas derrotar essa “ ideologia expressa pela burguesia”, mas extirpar junto com ela todos esses valores e assim surgiu juntamente com os ideais de Gramsci, a Escola de Frankfurt que tinha, por conseguinte a mesma ideia de destruir esses três pilares que sustentam a cultura ocidental, para então a implantação do socialismo. O intuito de Gramsci, por incrível que pareça também era extirpar as grandes concepções filosóficas e científicas, tais como o aristotelismo, o tomismo, e Gramsci quer todas essas concepções varridas de uma vez, e junto com elas a distinção entre “verdade” e “ falsidade”. E enxertando o pragmatismo de Antonio Labriola para o qual o conceito tradicional da verdade deve ser abandonado em proveito de uma noção utilitária e meramente operacional, ao marxismo, Gramsci e Labriola então, elaboram uma cosmovisão em que toda atividade intelectual não deveria buscar mais o conhecimento objetivo, mas sim a mera “adequação” das ideias a um determinado estado da luta social. Essa realidade é que permeia todo o pensamento acadêmico brasileiro.

Uma das estratégias de controle hegemônico da sociedade é a “ocupação de espaços” como Gramsci assim o deixava claro, não diferente da nossa realidade atual, a ocupação e controle do poder executivo, legislativo e judiciário; das universidades, das editoras, da mídia e transmutando assim num imperativo categórico que não pode ser contestado – assuntos como gayzismo, multiculturalismo, o Islam. O poder invisível e onipresente, ou seja, está em todo lugar e não pode ser visto pela sociedade.

Voltando ao dever que Gramsci dá ao intelectual como o principal agente da revolução e assim, refuta o próprio Marx e as estratégias de Lenin em um único golpe, ao dizer que uma classe só implanta uma ditadura quando não tem uma hegemonia. Nota-se o fetiche por poder, por uma hegemonia absoluta e colocando os intelectuais comunistas com as massas numa só força disciplinada, acredita no deslocamento gradual da hegemonia da burguesia exercida de cima pelos intelectuais comunistas e de baixo pelas massas, e o partido deve favorecer isso; este partido então, é o “Príncipe moderno”.

O que Gramsci faz é apenas elaborar uma teoria que presume que as massas estarão unidas atrás dos intelectuais que estarão por incrível que pareça, numa outra classe, pois se o intelectual comunista ascende politicamente, logo, ele vai possuir benefícios que a classe proletária jamais teria e o próprio Gramsci concorda com isso e acha necessário. Vemos então, o surgimento de algo que se pareça com o socialismo Fabiano, embora, o próprio Lenin tenha feito isso na prática, exemplos de intelectuais comunistas atualmente no Brasil é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um socialista Fabiano gramscista e o Ciro Gomes que se coloca como um intérprete da realidade através de recortes históricos em seu discurso.

De qualquer forma, nos Cadernos do Cárcere, Gramsci simplesmente recomenda uma nova sociedade de classes, com o partido como um “rei filósofo” coletivo e com os intelectuais aproveitando os privilégios que uma vez foram usufruídos pelos oponentes “burgueses”. Mesmo dizendo que os intelectuais, em virtude de seu papel educativo, serão capazes de persuadir as massas a aceitarem seu domínio, que então será inteiramente desprovido de uma base coercitiva. Mas, a capacidade de uma classe dominante de persuadir as massas a aceitarem seu domínio, não é precisamente um molde de uma “sociedade de classe”? Concluímos que não importa o meio em que se dará as estratégias comunistas, em qualquer época a ideia principal será um pequeno grupo político dominando toda uma massa apatetada – Lenin, Stálin, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro. Esse é o destino traçado e o legado deixado por Karl Marx e seus discípulos.

Segundo o próprio Olavo de Carvalho, o objetivo primeiro do gramscismo é muito amplo e geral em seu escopo: nada de política, nada de pregação revolucionária, apenas operar um giro de cento e oitenta graus na cosmovisão do senso comum, mudar os sentimentos morais, as reações de base e o senso das proporções, sem o confronto ideológico direto que só faria excitar prematuramente antagonismos indesejáveis. O responsável por toda a descrição do gramscismo no Brasil se deve ao professor Olavo de Carvalho que desde 1987 através de cursos e conferências, mostra o que essa estratégia de controle psicológico social que permeia nossa sociedade desde 1964, vem fazendo, e graças as suas informações podemos ver nitidamente o desenrolar cada vez mais de tais mudanças na sociedade.

Tarcio Gabriel de Castro Andrade, colunista do Blog Vale do São Francisco, aluno do COF, cursando história e membro do Curso de Formação Conservadora do Vale do São Francisco – CFC.

 

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